A INCRÍVEL HISTÓRIA DE MAURO SHAMPOO

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A Incrível História de Mauro Shampoo 

Composição: Oswaldo Montenegro

Essa é a história verdadeira
Lenda urbana brasileira
Viva Mauro Shampoo!


O centro-avante glorioso da derrota
Que a tristeza a gente enxota
Como enxota o urubu
É no gol contra que se testa a alegria
Gol de placa é fantasia
Pois baião não é blues
E toca bola que essa bola tá pirada
Sempre faz a curva errada
E nosso gol fica nu
E gira a vida como fosse enceradeira
Futebol é brincadeira
Viva Mauro Shampoo!


Mas o anti-craque dessas lidas
No intervalo das partidas
Só porque Deus acode
Pega a tesoura, pente, escova, creme rinse
Mãos de fada, olho de lince
Faz cabelo e bigode
Meio pereba, artista, herói, cabeleireiro
Mete a bola no cabelo que o cabelo sacode
Mauro Shampoo faz do vexame uma festança
E avisa toda a vizinhança
Hoje à noite: pagode!
E agradecido a Deus por tudo conquistado
pelo gol nunca alcançado
É feliz como pode

 

 

COMO SER O PIOR

  Muitos até podem tentar, mas só o Íbis detém o título de “pior time do mundo”. O que começou como uma brincadeira, hoje é uma marca que reúne centenas de aficcionados em todo o planeta. O Pássaro Preto para que não sabe, tem torcida até em Portugal e na Holanda. E eles ficam indignados quando o clube consegue uma vitória pois quebra a tradição. O Íbis foi fundado no dia 15 de novembro de 1938, pela Tecelagem de Seda e algodão de Pernambuco (TSAP). A princípio apenas funcionários da empresa jogavam e mesmo assim eram partidas amistosas. Com a morte do proprietário da empresa, João Pessoa Queiroz, os herdeiros da tecelagem não tiveram interesse em manter o time. Foi então que apareceu a lendária figura de Onildo Ramos, na época gerente da empresa. Foi o próprio Onildo que idealizou o Pássaro Preto como símbolo. O dirigente era admirador das histórias do Egito antigo e escolheu a ave por ser considerada sagrada. Foi só nos anos 70 que o Íbis acabou se transformando num símbolo de time que perde sem parar e ficou conhecido internacionalmente. Quanto à torcida, o Íbis tem sim senhor e esta já se acostumou com o time, e pouco se importa com os resultados negativos. Mas nem só de derrotas é feita a história do Íbis. Ele foi bi-campeão em 1945 e 1946, num torneio início, incluindo os grandes times do estado ( Náutico, Santa cruz e Sport). Em 1948 o Íbis foi campeão pernambucano de juniores. Os torcedores do Pássaro Preto precisaram esperar até 1995 para comemorar o 2º título pernambucano de juniores. Em 1999 o Íbis causou empolgação geral, decidindo o título da segunda divisão com o Ferroviário de Serra Talhada, deixando escapar o título para o adversário. Na elite do futebol estadual em 2000, o Pássaro Preto deu trabalho aos grandes times. Em uma parceria com o Sport, o time conseguiu bons resultados. O melhor deles foi contra o Náutico, no primeiro turno, do campeonato estadual, quando o time venceu por 1X0 em pleno estádio dos aflitos. Mesmo assim, acabou caindo para a segunda divisão.  

 

 

ÍBIS SAGRADA

A Íbis-sagrada (Threskiornis aethiopicus) é uma ave africana da família dos tresquiornitídeos, de plumagem branca, cabeça e pescoço negros e bico longo e curvado para baixo. Também é conhecida pelos nomes de abuanes, íbis-branca e íbis-branco. Esta é a ave-símbolo do Íbis.

 

ÍBIS NA PRIMEIRA DIVISÃO DO BRASILEIRÃO

 “O importante não é competir, mas sim existir!”. Eis o slogan que caracteriza bem que é o espírito do Íbis. Dentre as peripécias de maior repercussão do Íbis, o fato de ter sofrido 3.700 gols e só ter feito 120 gols é uma das razões que o levaram a condição de pior do mundo. “Afinal, não é todo dia que aparece um time como o Íbis”, Por isso, em homenagem a importância do Íbis no futebol nacional e até mesmo no exterior, a CBF resolveu inscrever o ÍBIS SPORT CLUB para disputar  a primeira divisão do campeonato nacional como equipe efetiva desta competição, sem risco de ser rebaixado, a partir de 2007.

OBS: É primeiro de abril!!!!!!!!! rsrsrs

 

DEDICAÇÃO

 "Todos os atletas aqui têm mérito. E é preciso valorizar os times pequenos, uma força pouco reconhecida", reclama o técnico Marcos Costa, ex-jogador, policial, há mais de 30 anos no futebol. Costa, seu auxiliar Nado e o preparador de goleiros Carlinhos - o "trio de ferro" da comissão técnica do Íbis - são abnegados do esporte, profissionais cujo esforço homérico não costuma ser devidamente remunerado nem rende menção no farto noticiário esportivo nacional. O futebol para eles é uma questão passional, uma causa. "Somos conselheiros e pais dos meninos", conta o treinador.

FUTURO

Os tempos são outros; as dificuldades, as mesmas. O elenco atual é composto basicamente de juniores, de 17 a 19 anos, que ganham nada mais que passes de ônibus para chegar a Olinda e treinar. Parece inglório? Pois não faltam jogadores querendo uma chance no Íbis. O presidente Omar Ramos, neto do fundador, quase não sai do celular, tantas são as ofertas. "O time tem um nome forte. Tem camisa", diz, com razão. Mas ele sabe também que todos chegam ao Íbis já em busca de outra chance, de uma boa atuação que os conduza a um time em que ao menos possam ter um salário - essas negociações esporádicas garantem a sobrevida econômica do próprio clube. Do elenco de 1999, honrado vice-campeão da segunda divisão, sete atletas acertaram contratos em Portugal. Em 2000, saíram dali jogadores que depois vingaram em clubes fortes do interior paulista. "Todos os atletas aqui têm mérito. E é preciso valorizar os times pequenos, uma força pouco reconhecida", reclama o técnico Marcos Costa, ex-jogador, policial, há mais de 30 anos no futebol. Costa, seu auxiliar Nado e o preparador de goleiros Carlinhos - o "trio de ferro" da comissão técnica do Íbis - são abnegados do esporte, profissionais cujo esforço homérico não costuma ser devidamente remunerado nem rende menção no farto noticiário esportivo nacional. O futebol para eles é uma questão passional, uma causa. "Somos conselheiros e pais dos meninos", conta Nado. Nessa base, o Íbis labuta à espera do início do campeonato da segunda divisão.

 

FASE ÁUREA

   Ao longo da história do Íbis, um personagem viveu os melhores anos da trajetória do Pássaro Preto. Durante as décadas de 50 e 60, Urbano Cerpa Brandão, 74 anos, foi o representante da agremiação de Santo Amaro na Federação Pernambucana de Futebol. “Eu presenciei os melhores e os piores momentos da equipe, durante a minha passagem no clube, por 16 anos”.
   Dentre as maiores proezas do “pior time do mundo”, Urbano Cerpa contou que as vitórias sobre o Náutico, Santa Cruz e Sport não têm comparação. De acordo com o relato do ex-dirigente ibiense, todos os jogos foram emocionantes e, por coincidência, terminaram com o mesmo placar: 1x0.“Contra o Náutico, a partida se realizou em 1961 e o gol do Íbis foi do atacante Carlos Alberto, nos Aflitos. Jagunço, o nosso goleiro, foi considerado o melhor jogador em campo. No ano de 1965, a gente conseguiu ganhar do Santa Cruz, também nos Aflitos. Naquela ocasião, o gol foi do ponta-esquerda Rildo. Por fim, em 1967, veio a vitória diante do Sport, no Arruda. Naquele dia, o centroavante Antônio Carlos fez a festa da nossa torcida”, recordou Urbano. Para Urbano Brandão, estas foram as maiores glórias. Porém, a maior decepção foi ter perdido os dois pontos da vitória para o Timbu, naquele memorável jogo na temporada de 1961. “Descobriram um atleta que foi inscrito de maneira irregular e todo aquele esforço foi por água abaixo”.

HISTÓRIA

   O Íbis foi fundado por um grupo de abnegados desportistas, tendo a frente Amaro Silva, Onildo Ramos e Alex Codiceira, todos de saudosas memórias, reunidos na Vila Tecelagem em Santo Amaro, resolveram iniciar a trajetória do Íbis Sport Club.  Desde a sua fundação até os dias de hoje as suas cores sempre foram vermelha e preta. Foi durante muito tempo cognominado pela imprensa pernambucana como o "rubro negro das Salinas", homenagem ao Santo Padroeiro do bairro de Santo Amaro das Salinas. Rildo, Vavá (todos com  passagem na Seleção Brasileira) jogaram pelo Íbis, além de Bodinho e Vasconcelos. O Íbis foi fundador da Federação Pernambucana de Futebol, sendo o único clube filiado que nunca deixou de disputar todos os campeonatos promovidos pela Entidade. Com o passar dos jogos, a fama de pior time do mundo se consolidou de maneira tal que hoje se trata de uma marca registrada. Tanto no Brasil quanto no exterior. Os torcedores e simpatizantes do Pássaro Preto desejam muitas felicidades e que a resistência continue. Tudo começou quando funcionários da fábrica de Tecelagem de Seda e Algodão de Pernambuco (TSAP), que ficava no bairro de Santo Amaro, resolveram organizar um time. As cores rubro-negras foram uma influência do Sport. Já o mascote, veio além-mar. O Íbis é uma ave pernalta, natural das regiões quentes da Europa e do norte da África. Para ostentar o título de pior do mundo, o Íbis teve que ralar muito. Perder nove partidas seguidas, sofrer goleadas homéricas e ainda permanecer na Segunda Divisão estadual por dez anos (subiu em 1999, mas caiu de novo, em 2000), não é para qualquer um. Até o Corinthians Paulista andou superando a marca de derrotas, mas não chega a ameaçar. Porém, nem só de revezes foi escrita a história do Íbis. Jogadores como o meia-direita Bodinho, o lateral-esquerdo Rildo, além do atacante Vavá, que defenderam o Pássaro Preto no final da década de 50, foram campeões mundiais pela Seleção Brasileira nas Copas de 58, 62 e 70.

JOGADOR DE FUTEBOL, CABELELEIRO E HOMEM

Retrato mais bem-acabado do Íbis, Shampoo é um anti-herói do futebol, alguém que ficou famoso pelo que não fez - ganhar. Em dez anos, só anotou um gol - que, dizem, foi contra. De família pobre, com 14 irmãos, nunca hesitou em cumprir a sina de ser símbolo de algo pejorativo, associado à idéia de "pior". "Mauro e o Íbis personificam o espírito de luta do brasileiro, que faz do bom humor e da criatividade armas contra as adversidades", resume o cineasta Paulo Fontenelle, que dirigiu um documentário sobre o jogador. Boa-praça incorrigível, o cabeleireiro recebe todos os dias em seu salão no Recife uma legião de boleiros, de ex-atletas a dirigentes e torcedores. O lugar funciona como um museu do Íbis, com mais de 500 fotos coladas nas paredes, além de recortes de jornais que registram as desventuras do time no passado. Entre outras pérolas, um infográfico sobre o "gol mais bonito da história do Íbis", na vitória de 3 a 1 sobre o América, em 1985: Shampoo lançou de longe até o flanco direito do ataque, onde Bauzinho, rápido, cruzou para um voleio de Rui no alto do gol de Neneca. Golaço. “Joguei no pior time do mundo e o único título que ganhei em toda a minha vida foi o título de eleitor. Agora, estou aqui, com todo esse sucesso e devo isso ao Íbis”-fala orgulhoso o jogador de futebol, cabelereiro e homem.

 

 

SINA

 Segue difícil a vida do Íbis, a ave negra do futebol brasileiro. Mas é na sina de infortúnios que estão o mérito e o charme do time. O campo dos  conjuntos habitacionais do Jardim Fragoso, arredores de Olinda, não é exatamente uma maravilha: o gramado alto tem lá seus buracos, e não poucas vacas da vizinhança usam o espaço para fins menos nobres do que o esporte bretão. Mas um time profissional, famoso no Brasil e no mundo, está satisfeito em poder treinar ali. "O campo está garantido até o fim da temporada. Uma sorte", diz o treinador Marcos Costa, veterano de muitas aventuras à frente do Íbis Sport Club, de Pernambuco. A preleção antes do treino é dura. Costa está chateado pelo fato de um jogador ter negociado mudança para outro clube, sem avisá-lo. Jeitão militar, ele não cita nomes, só insinua. Os atletas, que o respeitam como a um pai, ouvem calados. "Essa conversa de pior do mundo é boa para jornalista. A gente trabalha para ser campeão", já vai adiantando. As estatísticas que ilustram a má fama do Íbis são imprecisas. Uma das mais abrangentes, contudo, dá idéia do calvário ao longo das décadas: de 1938, ano em que foi fundada, a 2005, consta que a equipe disputou 1 064 jogos, com um total de 137 vitórias, 145 empates e 782 derrotas, e um saldo negativo de 2 221 gols. Entre 1980 e 1984, foram três anos, dez meses e 26 dias sem ganhar um jogo: seis empates e 48 derrotas. Em 1981, o Íbis perdeu 23 vezes seguidas, entre elas todas as partidas do estadual - no qual fez um gol e levou 51, em nove jogos. Amargou uma chacoalhada de 13 a 0 para o Santa Cruz, e perder de nove ou dez para o Sport ou o Náutico tornou-se rotina. Esses resultados assombrosos viraram notícia em todo o país. E a alcunha de "pior do mundo" nasceu. O Pássaro Preto ficou famoso. "Na época, nenhum dos jogadores se dedicava só ao futebol. Todo mundo tinha outra profissão, a turma se reunia à noite para treinar", diz o camisa 10 dessa desafortunada geração, o folclórico Mauro Shampoo, 50 anos, "jogador do Íbis, cabeleireiro e homem", como se anuncia ainda hoje.

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